2005 – 2006. Faltam poucas horas para o próximo ano... Eu, de folga da escrita pensei sobre o que escrever. Não sou boa com datas. Prezo pelo o sentimento do momento, a emoção. Complicado escrever de outra forma. Olhei ao redor, pensei em falar da infância. Das noites que passei em claro a contar os dias. Recordei de minha avó a fazer meu bolo de aniversário à noite para que fosse surpresa no dia primeiro. Suas lágrimas pela morte de meu avô nesse dia e a força que ela sempre fazia para sorrir. Depois corri para a adolescência. Almoço para os amigos e o tradicional bolo que eu não via mais quando era feito, eu estava para a rua ou para a igreja. Mais à frente, apenas as visitas a casa dela e o mesmo almoço e bolo. Acredito que para ela nunca serei a Eliane ‘grande’. Em flash, deitei e fiquei a montar o quebra-cabeça de minha vida. Tantas coisas! Os primos reunidos, pai e avó, as tias e tios a provar que para eles eu era a única pessoa do mundo, os amigos, os abraços, os beijos e a cachaçada marcada para quando estivéssemos na rua. Virada de ano longe de familiares - passeio com amigos, virada de ano a escutar fogos e respirar a brisa do mar, virada de ano com meus amores. Virada de Ano com amigos repentinos já que os outros estavam a viajar. Virada de ano na net esperando um oi. Virada de ano na beirada do fogão a preparar os comes e bebes para receber as visitas no dia seguinte. Virada de ano com minha tia, a esperar que ela terminasse minha roupa. Virada de ano com poemas, vinho e a solidão. Virada de ano colada ao telefone. A última? Bem... Viajei. Encontro com o mar. Às 23 horas decidi que queria ficar em casa – sozinha. Todos foram ver os fogos... Fiquei a escutá-los. Churrasco no primeiro dia do ano a beira da praia com direito a parabéns público. Tantas viradas. Somarei 33 anos. Muitas viradas! Alegria em todas, mas sobre o que irei escrever? Hummm... Já sei! Algo aos meus amigos que acolhem a vida como um dom e sabem que a mesma é uma loucura.
Aqueles que por mais um ano suportaram minhas fraquezas, minhas lágrimas, minhas manias de querer ver as coisas em seus lugares. Aos que choraram comigo e me deram seus braços em um abraço gostoso quando eu procurava um carinho. Aqueles com os quais aprendi muitas coisas sobre a vida e suas ciladas. Aos que falaram besteiras, enviaram piadas, poemas, textos e textos. Aos que escreveram um pouquinho de suas vidas ao lado da minha e acreditaram no valor da amizade. Aqueles que riram de minhas utopias, dos copos que bebi sozinha papeando na net e sorriram dos meus tombos (um joelho dolorido até hoje). Aos que ficaram tontos comigo e curtiram as ressacas. Aqueles que me arrancaram rabiscos porque queriam ler. Aqueles que imaginaram uma noite 'perfeita' quando o sol queimava lá fora e as flores pediam água para alimentar a aridez de suas raízes. Aos que falaram de desejos, que os partilharam da forma mais bela e pura que é possível imaginar. Aos que enxergaram em meus rabiscos uma maneira de conversar com sua sensibilidade e, ao meu lado falaram de suas vidas. Aqueles que vasculharam meus mistérios e no fim descobriram que não os tenho, que sou quem sou. Aos que aconselharam, silenciaram e me fizeram rir dos problemas aos quais eu imaginava sem solução. Aos que encaminharam mensagens para dizer: ‘ei, estou aqui, tá?! não sumi’. Aos que eu não sei como agradecer porque foram mais que amigos ou familiares. Aqueles que conheci diversas vezes já que só mudaram o ‘nick’ na net. Aqueles que brincaram com o meu jeito de não ligar para coisas chatas e confusas. A todos, sem exceção, venho trazer um beijo terno, um abraço longo e a famosa frase ‘amo você!’. São palavras em meus dedos, sentimentos... e encolhem emocionados. Vocês são fascinantes! Para não ficar chata, desejo alegrias infinitas e caso não seja possível, meus votos são de eternas alegrias : ) Beijos e um 2006 maravilhoso para todos nós! Obrigada por tudo! Eliane Alcântara.
Escrito por Eliane Alcântara. às 17h43
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