Insano gozo.
O veneno de olhos desinibe margens No vento arbitrário da voz Passeata em seu corpo molhado no mistério do decifrar. Lambo de suas mãos um pouco de lascívia prematura Sêmen de seu prazer a beijar minhas pernas Sentido de quem faz amor sem medo de fazer sexo.
Rio de um gosto a mais no quarto escuro Aceso em nossos olhos claros Potências em sábias misturas Cores a nos transfigurar animais no cio. Se a manhã é longa delícia perdida nas coisas, E nós, quem somos, lúcidas criaturas, para fugirmos do movimento?
É temporário esse tempo de gostosuras E sua boca úmida de desejos facilita A compreensão do dentro fora que apraz o fogo da carne A abrir-se tesão no indício de travessuras.
Dê-me um pouco de sua língua, Íngua que não mingua como fase de lua. Dê-me mais de sua carência para o ato Firmeza na qual desato o sonho Sem fugir do pacto tamanho Em reconhecer-nos vínculos eróticos.
Se foi a sacanagem lírica, o suor a nos remoçar, Faz da brisa à vontade de ousadas estripulias Dançar ao som de seu peso a forçar-me O bendito prazer de acolhê-lo. E sem pressa, semeie em minha caverna, Seu grito de independência Na estrada de minha volúpia A arquear meus braços em sua cintura. Santo gozo!
Eliane Alcântara.
Escrito por Eliane Alcântara. às 15h25
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