Quero ficar esquecida em meu segredo que é a voz de uma brisa leve que passeia em vários lugares sem nunca ter um lugar para descansar. Seguir amando as manhãs que nascem independentes de qualquer coisa. Enlaçar minha vida no ar e ter do tempo a cumplicidade de nunca parar para olhar para o passado. Encher meu peito de lugares novos viajando em cada palavra que de poesia puder fortalecer meus braços de flores delicadas na selva de um pensamento entre ingênuos amores e traiçoeiras paixões. Renascer em lábios ardentes acontecendo em cada poro que exale amor. Cristalizar minhas emoções traçando um ideal em cada pôr-do-sol. Plantar um pouco de mim no oeste, outro tanto no norte sem esquecer do sul e leste. Fazer brotar direções em torno dos meus sentimentos e celebrar a liberdade nos balcões do vento, lendo alegria em doses na qualidade dos insanos que voam sem medo do céu que em parceria com a terra é elemento de um crer na vida. Deitar nas águas de uma tempestade ou nas águas calmas de um lago, indiferente de reações que essas águas proporcionem ao meu corpo. Não tenho tempo para lamentar ou para chorar com aqueles que fogem aos meus desejos. Estou indo sem pressa e não vou devagar porque meus passos são dirigidos por minhas asas que movimentam rumo ao novo. Quero um pouco de malícia e muito de inocência para olhar dentro dos olhos daqueles que eu amar. Não peço nada. Vôo em busca do que eu almejo e provo do bom e do mal para regar minhas possibilidades em ações que integrem minhas ousadas viagens por caminhos estranhos, tortos, complicados e naturais em cada bocado de solidão que exprime a alma. Quero provar da agonia, do fogo, da magia, do gelo, da boca que escarra e beija, do tiro e do suicídio, da tristeza de sorrir e da alegria de chorar. Do sexo a doçura e o fel. Escorrer prazer em virar a mesa e catar os copos no chão lambendo o que esparramou na pele do adversário que ri o incerto suspense que faz fumaça nos gravetos verdes. Tombar com o barulho da serra elétrica e cair no poço de lama. Quero rasgar o corpo em tiras, compilando um pedaço a cada um. Destrinchar minhas idéias, minhas fases, minhas taras, minhas amarras... Desamarrar minhas vozes e beijar minhas lágrimas da face obscura, nas cores de minhas correntes sem travas. Ir ter na cama com os lençóis desarrumados, alinhavar fatias de quem fala em mim, e de minhas vontades provar o cheiro como fera faminta. Saciar os negativos pólos de ondas delirantes em taças quebradas para cortar a língua e lacrar o inesperado na abertura de outras novidades que extravasam meu peito. Ver o grito do mundo e gritar em conjunto por qualquer coisa que chegue no íntimo do ser em sua plasticidade que elástica sirva para realizar. Quero palavrear minha gosma de gente e esquecer minha massa de tempo fazendo valer o momento que paire em substância invisível, o essencial nos milímetros daqueles que sentem o não revelado. Voar sem limites e lascar a casca até rompê-la, no calor do inacessível subentendido sim e não de linhas retas na bússola de corações elétricos. Dar o melhor de mim na relva de minhas ilusões, nas fendas realistas... Ir para longe e chegar perto, bem perto, junto da plenitude de minha busca. E, se nada faz sentido, eu faço sentido o meu falar. Quero viver nua, vestindo de pedaços meus sonhos. Pedaços somados a nudez (vestida)...
Eliane Alcântara.
Escrito por Eliane Alcântara. às 21h07
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