Plágio de meu sentir.
Figura em mim o plágio desesperado de mim mesma No qual as estrelas que foram sorrisos são gotas fúnebres De uma melodia triste ao pé do ouvido de meus versos. Tento emergir da solidão de um amor, rascunhando outro Que ao peso do perfume que soletro se torna insensato Pela angústia de amar o ontem espelhando saudade. As cores insistem em ventar azuis e meus olhos, Pequenos fragmentos de vida, acenam úmidos, O amor que se transfigura em ilusão – princípio da dor. Coleto os ramos de paixão que ressoam E sou desprovida espera nas asas de uma inequívoca lembrança, Praga que em peste viva corta a alma, divide o sonho, Projeta a morte na margem do lago sem sentir o frescor d’água. Escrevo um archote súplice e inflamo meu peito Pelas razões que eu nem sei bem, Poema ou encanto, Prece divina calcada na carne de quem nasceu Pela luz de um ato e é o fato de um sussurro apaixonado. Tirem-me de mim! Afastem essa louca fada que caminha Escrita em minha pele, fadada ao amar beijos distantes, Luminária sem proteção. Ou me deixem amar cada dia com um amor mais terno O sagrado infinito que encontro nas gavetas de minhas estradas, Terras longínquas que eu conheço no pasto de meus desamores. O clarão que se esconde e me assusta é meu pássaro engaiolado A cantar os desanuviados desenhos de tantos sonhos... Esperem... Lá fora serena, chuva fininha... Esqueçam... A minha Poesia é o corpo molhado... Plagiarei gotas de bênçãos em meu corpo. Estou onde está o olhar daquele moço/menino, aquele, Que pensando saber de mim não sabe que ao sofrer Estou a crescer nas fibras de um desejo maior: O de amanhecer gozo em sua vida.
Eliane Alcântara.
Escrito por Eliane Alcântara. às 21h14
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|