
Despudorada.
Pernoito a loucura de tuas mãos a acordar os meus sonhos e enrolo nas estrelas que faíscam de teus olhos minha paixão. Sinto que sou tua fruta a saciar-te o paladar quando brincas com minhas noções de amar e encaixas meus suspiros em teus jardins de encantos. Transfiguro a santa em fera e arranho teu peito com a suavidade de quem quer excitar o alimento; minha presa e minha vida, atada em pedaços de paraíso. A febre inunda a cama e teus lábios, portadores de Deus, pregam beijos proféticos em minha carne incrédula, porto para prazeres que comem-nos aos poucos. Tu tens o respirar que aquece minha tara e sabes os mistérios que imploram meus gemidos, sons para ocupar tua mente, ternamente. Corro em passos de amante a janela, e deixo-te entrar, brisa que refresca a minha intimidade e percorre neste instante todos os sonhos dos apaixonados. Converso com a solidão e o contraponto de dias felizes anuncia-te manhã a serpentear em minhas entranhas o envolvimento de um amor leviano... ... puro em todos os sentidos - Quente! Sinto o peso do sono, dou adeus à insônia entre lençóis, teus dedos alisam a indizível pulsação de meus atos. Devoro-te, entrego-me, desespero-me, encontro-me. Teu desaguar molha-me o sexo e crua tempero-nos, fragmentos de um todo escaldados no berço quieto de nossos afagos poéticos: súbitos destinos carnais.
Eliane Alcântara.
Escrito por Eliane Alcântara. às 11h28
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