
Um meu querer.
Quero quase fera sentir a nudez da Natureza em seu quieto despertar e rolar com a magistral inocência de olhos atentos que seguem a simplicidade das cortinas da vida.
Conhecer os esconderijos da memória e seguir pelos bem traçados labirintos da saudade.
Desanuviar a lógica e beber pensamentos incólumes nas retinas de meu amado.
Caminhar sobre folhas secas e ouvir o ruído ao se partirem canção, sob o peso de meus sentimentos, enquanto decifro estrelas ao meu jeito e sussurro com o vento os segredos de meu coração.
Não me preocupar com direções sendo capaz de reconhecer no ar se Norte ou Sul, Leste ou Oeste traz notícias de meu amor, inscrito em flores que semeei nos anos ataviados ao inusitado querer.
Redescobrir o prazer de despida, ensaiar passos de tango nos campos floridos em que me dou vadia e manhosa, umedecida pelos pingos fortes de uma convidativa tempestade.
Pertencer aos crepúsculos e as cores nas asas de uma intocada borboleta a renascer Poesia acariciada nos lábios da madrugada.
Disputar a pureza com os regatos e amar os astros, enlouquecida, sem medo de um eclipse.
Desfrutar dos amores na relva e santa sangrar a face do luar projetado em meu corpo nas noites em que uivam os desejos e minha carne é alimento e afago a dele.
Ser cúmplice de todos os devaneios musicais que as estações afinarem no bailado das almas, enquanto me perco em gozo sob os olhares que ele desfia a minha volúpia.
Encontrar o início da insanidade quando ele adentrar o meu corpo e, leve, ressurgir faminta toda a nobreza do amor nas notas vulgares, que perfeitas casem com o sagrado.
Surtir o efeito da beleza, o riso dos loucos e quem sabe assim, parir paixão e amor nos dedos de um novo dia – divino!
Eliane Alcântara.
Escrito por Eliane Alcântara. às 21h24
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