Eliane Alcântara.


Plena imagem.

 

A lembrança que apaga

Os tristes momentos em que deixei de sorrir

Tem qualquer coisa tua na pálida manhã

Em que caem os dedos de sonho de uma ternura

E te imagino criança em meus braços.

Fera que eu domestico sem roubar a beleza

E aninho em meu peito, feito concha a adormecer.

Prazeres de mil desejos no fundo e cedo de nós,

Fertilidade náufraga  a desvendar os segredos

Do som de um cavaquinho apaixonado,

Boêmio vento que alisa minha carne

Louca, ao abismo de tuas vontades.

Esplendor que anuncia a graça de amar

Crendo na malícia do tempo, pedra lapidada,

Imagem que serena em meus olhos

O alimento de tua alma para a minha.

E me ponho a admirar as rugas da alegria

Em um novo sorriso que celebra ao vinho

A videira de tantos encontros em um só,

O nosso. Vertigem sem vestes que nos excitam

Nas ramas que se entrelaçam em cores

Pelo lírico balneário em que te vejo onda

Capaz de curar minhas feridas poéticas

E reabrir a inocência estrelada

Da janela que mostra a pureza a fecundar

Esse amor sem jeito e tão (im) perfeito

Em sua humana perfeição

A alcançar outro dia que nasce, virgem.

 

Eliane Alcântara.



Escrito por Eliane Alcântara. às 18h53
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Tudo bem... Vai parecer que sou coruja, mas fiquei fascinada com a Arte que possui esse moço.
Meu Deus! Além de escritor o moço ainda desenha e canta... Parece que foi feito na medida. rs*
Agora continuando a conversa de maneira séria... O que é isso?
Deixa-me explicar... Essa foto estava na janela do meu msn... Enviei para o J. Ventura que ficou de
me desenhar. Alguns dias se passaram e ele dizia que estava terminando. Com isso veio aquela coisa de
correio e eu esperando ansiosa. Hoje para surpresa chega um envelope amarelo... Pelo remetente eu já
imaginava o que estava lá dentro... Senti aquela sensação gostosa que temos ao abrirmos um envelope...
E para meu encanto... O desenho.
Hummm... E como eu fiquei namorando, achei justo postá-lo aqui. Adoro partilhar tudo que me deixa
com cara de boba, se bem que eu vivo partilhando tudo!
J. Ventura, espero que não fique bravo, mas estou até agora apaixonada com o desenho e o poema.
Obrigada, obrigada, obrigada!!! Vai para uma moldura com o seu poema ao lado e depois eu mostro : )
Beijo grandão!!!!
Eliane.

***

 1

Te encontrei viva em minha carência, doce anjo.
Carece a mim teu retrato em lona marfim:
(Pinto-te)

Te acariciei com pincel mesclado azul-branco;
Pintei tua face terna enquanto o vento invadia janelas
Investigando a minha.

Te encontrei viva em minha fingida experiência, doce anjo,
E moço fui, sou, na confusão das cores,
Enquanto teus olhos lambuzavam meus dedos:
Passarás a enxergar o quanto te amo a partir de toques meus?

Então, pobre de mim, doce anjo,
Preso a terceiras dimensões geográficas.
Pobre de mim,
Que só te tenho em telas e tintas: cáfilas.

J. Ventura



Escrito por Eliane Alcântara. às 13h13
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Seqüelas.

Tentei abrir os meus olhos
e ver o avesso de tuas falas,
mas me perdi dentro de tua boca
e fiquei esta melodia úmida
que teu corpo compôs
para os amantes
que do frio comem o calor
que os corpos produzem.

Eliane Alcântara.



Escrito por Eliane Alcântara. às 17h33
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Vento amigo.

 

  Hoje o vento está soprando desesperadamente essa saudade (sua). Meus lábios ressequidos, castigados imploram pelos seus, úmidos, fortes, delineados a base do desejo.
  Sinto a nostalgia da noite delirante vagando ao útero do silêncio, faminta, seca nas necessidades básicas de um olhar. Procuro por algumas estrelas desconexas, pelo menos uma, a mais atrevida do céu. Penso em seu corpoluz, divindade que adoro prostrada em minha solidão. Ouço o gemer do vento, em fúria apelativa e quero gemer com ele, chegar ao fundo de meu despir. Misturar-me à chaminé fumegada enquanto acolho o meu prazer boêmio circulando meus loucos pensamentos. Emoções delicadas, pornografia exata aos seus apelos em minha cama vazia. Estou longe do céu. Longe do paraíso. Longe de mim, longe de você. Firmo a idéia de que o vento não irá me arrancar. Vou fechar as janelas. Não quero ouvi-lo!

  Droga! Você está injetado em minha veia. Não posso fugir. Não posso arredar o pé do inferno que aquece meu sentir em destemido querer a sua presença calma, quase preguiçosa. Da memória soletro o seu nome, o seu nariz, os seus dedos, unhas curtas, cabelos desalinhados, camisa desabotoada, quadro que espio a distância para não macular.

  Olho para o copo de suco, ele está suando o frio que envenena meus ossos. Ei! Cadê você? O fim está recomeçando e a vírgula está ficando longa demais. Penteie sua ressurreição, não tenho a noite toda, muito menos à vida inteira. Essa já vai a outra não sei quando virá.
  O vento está calando... Chegue com o que ainda vem, ou bata a porta e apague essa chama que insiste em ficar acesa.  Não sei se nos cabe o encontro, a espera ou o adeus. Pise de leve que o escuro não calçou as luvas e o vento, parceiro em coincidências não anotou a placa do tempo que nos atropelou.

  Vou praguejar os trechos de um cálice entornado, assassinar essa hipótese de ser a dama de seus anseios ou a puta de sua oração secreta. Estive alucinada em suas correntes. Bebi demais de sua boca e vomitar é minha obra de arte. Prepare para o desvio de personalidade, a santa enlouqueceu no pedestal do correto. Estou queimando querosene para espantar mosquitos e essa é por nós que tristes mendigamos respostas.

  Por vezes olhamos para fora da janela e tudo parece conspirar de acordo com o que queremos. Claro, usamos isso para responder as coisas que não conseguimos explicar. É quase como vestir o pijama e olhar para o espelho como se estivéssemos prontos para abrir a janela para receber a serenata que ele nunca fará. É a crença que o ser humano alimenta de que ele é o criador do universo que cabe em uma caixa de fósforos vazia e não cabe no peito de quem ama. É esse o caminho. Sei lá, mas é bom poder inventar um sorriso quando a carranca quer instalar. E rir de tudo sem preocupação, sem medo de atingir o grau elevado do vício  de celebrar a vida em tinas de suspense.

  A vida é sempre um istmo que conjuga o desejo de ser e o que é, até mesmo de maneira inconsciente. Por isso seja criança e não tema a força do silêncio. Saiba que nas passadas existe o segredo do caminho e as inocentes vozes que gritam pelo amor, pela paixão e pela paz são as mesmas que podem orientar suas manhãs quando o vento anuncia a noite em seu interior.

  Hoje senti aquela saudade doentia e ele não soube. Ah! Esse vento! Esse vento não sabe com quem ele brinca. Desesperadamente o vento cessou. Aconteceu. Eu apaguei as luzes do mundo, fechei a janela e sorri. O mundo anda a nosso favor. Loucura pouca é não enxergar o adeus quando ele se faz tradução do início.

  Perdemos uma paixão, um amor que fazemos valer. Ganhamos a dor para retratarmos a cura. O aprendizado é um tambor na memória quando pescamos a quina de um círculo.

  Enquadre seus olhos no porvir. O vento é parceiro para o além.

 

Eliane Alcântara.



Escrito por Eliane Alcântara. às 12h33
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