
Possua-me.
Molha o meu olhar com tua boca quente e deito-me em teus dedos, nascente em canto, tarde que nunca tarda em meu corpo suado. Abra teus braços aos meus cabelos, som de língua em minha face, voz de santo, demônio febril em meus lábios. Traduza esta parte que tua domina meu sentir E vista de negro meu corpo com o aroma do teu. Diga coisas tontas; tantas que eu esqueça. Irei gozar em tuas palavras chuvas e ventanias
se couber em ti o meu prazer. Moço de olhos falantes, silencia o tempo ... Quero-te. Toma-me tua tela, as bordas de meu corpo são tuas tintas,
meu desejo moldura para tua arte,
desenhe o infinito em pinceladas
ante a beleza de meu espasmo em tua carne.
Arrepia-me a tenacidade da dor e do gozo,
Libérrima sensação que acompanha
A virtude da eternidade na morte almejada.
Abriga-me em teu sexo, abriga-me em teu paladar.
Eis aqui tua menina, tua mulher, tua amante faminta.
Acolha meus sons numa perfeita dança
E assim, guerreiro de minhas batalhas,
Possua-me
No silêncio das horas.
Eliane Alcântara.
Escrito por Eliane Alcântara. às 15h53
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