
As influências em nós.
A transformação em nós.
O fazer... Em nós!
De fato o mundo precisa de um beijo em que as pessoas se conscientizem de um abraço do tamanho de sua alma.
Um beijo que molhe de emoção o coração do homem e que deixe clara a verdade de que nada somos quando nada podemos fazer pelo outro, quando não temos em nós princípios que nos ensinem um pouco mais sobre porque estamos nesse tempo.
É feito um correr que se mistura em ordem dentro do espaço, que a desordem (ordenada) entrega a cada um o efeito-transformação- contínua de construir a partir dele próprio.
Vejo perguntas que se integram a outras na louca ansiedade de obter uma resposta e me encaixo nesse gibi e acompanho a mudança das páginas.
Minhas mãos ficam trêmulas e meu corpo tende a dor de filtrar esse arrebatamento universalizado em que a fome geme e a necessidade ponteia o estar caído em constante sofrimento.
Que fera é o homem? Que monstro é esse que domina com a necessidade de se transformar em rei de tudo que o cerca?
Quem nós somos?
Nos livramos do lixo.
Penteamos a aparência dos olhos e o corpo recebe o necessário cuidado para atrairmos. Parecemos o reflexo da beleza enquanto seguimos vazios. Há a necessidade de estarmos vazios, mas não há necessidade de seguirmos ocos.
Os restos são recebidos e a ponta do salto não agarra nos paralelepípedos. O senhor de todas as coisas não anda a pé. Mas se for preciso pisa aquele que acaba sendo passarela para a sua ganância.
Tem sido o tempo dos fortes e de suas ideologias falidas, de suas arrogâncias aristocráticas. Tem sido o tempo dos coronéis? Acaso regredimos na história?
Valha-me Deus!!! Deixe cair em quem pensa a cena de uma época na qual todos possam cumprir a visão do mundo em leituras que comecem solitárias e se estendam. Não quero aqui pedir para que separem o joio do trigo.
Peço tão somente que o homem entenda a razão de semear. A colheita dependerá sempre do cuidado que se tenha com a plantação.
É o momento de deixar que as raízes cresçam, que a chuva fertilize. Que a voz sinta-se liberta.
É o tempo da união. Do fazer, do sentir, do estar em sintonia com as notas desafinadas. De seguir a direção da coragem com a certeza de que o morrer por uma causa é o abrir dos olhos. É o tempo para a compreensão de que não somos os analfabetos da vida, e sim a vida a nos dar a realidade.
O que podemos fazer pelo outro está no que podemos doar, está em que somos em transparência sem medo do peso da chibata.
Os homens entendem sua dimensão quando mudando seus atos erguem seus olhos para dentro e deixam que o interior cumpra o seu vôo de águia no universo em si voando lado a lado no céu de todos.
Não há urgência somente em marchar... Há urgência em ver...
Eliane Alcântara.

Escrito por Eliane Alcântara. às 15h25
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