
Poema 6
Pablo Neruda.
Te recuerdo como eras en el último otoño.
Recordo-te como eras no último outono
Eras la boina gris y el corazón en calma.
Eras a boina cinza e o coração em calma
En tus ojos peleaban las llamas del crepúsculo
Em teus olhos brigavam as chamas do crepúsculo
Y las hojas caían en el agua de tu alma.
E as folhas caiam na água de tua alma.
Apegada a mis brazos como una enredadera.
Apegada a meus braços como uma trepadeira
las hojas recogían tu voz lenta y en calma.
As folhas recolhiam tua voz lenta e em calma.
Hoguera de estupor em que mi sed ardía.
Fogueira de estupor em que minha sede ardia.
Dulce jacinto azul torcido sobre mi alma.
Doce laço azul torto sobre a minha alma.
Siento viajar tus ojos y es distante el otoño:
Sinto viajar os teus olhos e é distante o outono:
boina gris, voz de pájaro y corazón de casa
boina cinza, voz de pássaro e coração de casa
hacia donde emigraban mis profundos anhelos
para onde emigravam os meus profundos anseios
y caían mis besos alegres como brasas.
e caiam meus beijos alegres como brasas.
Cielo desde un navío. Campo desde los cerros.
Céu desde um navio. Campo desde os cerros.
Tu recuerdo es de luz, de humo, de estanque en calma!
Tua recordação é de luz, de fumaça, de estanque em calma!
Más allá de tus ojos ardían los crepúsculos.
Além de teus olhos ardiam os crepúsculos.
Hojas secas de otoño giraban en tu alma.
Folhas secas de outono giravam em tua alma.
Tradução de Márcio Gabriel.

Escrito por Eliane Alcântara. às 15h27
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