
Poema de uma amante.
Quando pensei ter seus beijos fugi
para que a dor não ultrapassasse
o limite que nos redime as formas.
E sem eles senti a febre da paixão
que aflorou a inércia em que me encontrava.
Corri noites com pés de desejo,
descalços na sede concreta
da maneira que me tocavas.
Não me possuias sem antes me amar.
Amando éramos o avesso dos versos
nas folhas brancas e nos lençóis revirados
como plumas ao vento.
Surgiram contos, poemas, tons...
entrega total nas carícias envoltas na permanência,
preenchidas com a dor um do outro
no desespero de alcançar o "imaginado".
E nesses beijos futura poesia,
a dor, o amor, o corpo, o rosto, o suor,
o gosto, o sabor do envolvimento
sem nos tocarmos além de com letras.
Eliane Alcântara.
Escrito por Eliane Alcântara. às 21h36
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