Eliane Alcântara.


Dias meus.

Tem dias que brinco comigo

e busco um sorriso em algum fundo de traço,
talvez um caminho em que me encontre
ou algum outro no qual me perca.
Tem dias que dispo minha alma
e reviro-me criança fera de um não delírio.
Deixo a tristeza  pintar um mar
e nuvens filmarem alegria.
Tem dias que cavalgo poesia
e planto palavras nos pés de meus anseios,
outros rasuro malícia e desmancho segredos
tatuados na ponta de alguns prazeres.
Nos dias escritos desencravo dores
destilo amores e afago torrentes.
Tem dias que saio de mim
olho de fora e queimo por dentro.
Tem dias nos dias férteis que viro semente
e de mim broto mulher alucinada
com minhas taras e meus frágeis medos.
Tem dias que esqueço de mim
e sem querer me acho, inteira.


Eliane Alcântara.



Escrito por Eliane Alcântara. às 10h18
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 Plena imaginação.

Amo seu cheiro que vem com o vento
Acordar meus suspiros, acender minha teimosia.
Amo suas mãos delirantes a passear meu corpo,
Descobrir novas formas de prazer.
Entrego meus sentidos aos seus delírios,
Quentes abraços de ternura.
Visto a tarde de sussurros em seu ouvido,
Aninho minha sede em sua pele adocicada.
Beiro a consagração de nossos órgãos,
Enlaço nossas bocas ao cabível no que entorna de nós ao ar.
Relaxo minhas conclusões, embaralho nossas vestes.
Deslizo audácia em sua fome, comendo do que nos alimenta.
Amo sua determinação ao tomar-me,
Ao conduzir-me ao paraíso dos mortais,
Quarto crescente de tudo que nos é destinado.
Escolho um som para nos musicar
E de olhos fechados valso seu corpo
Em serena e louca perseguição.
Amo essa fantasia ensolarada, esse perfil cabalístico,
A tecer de nós um desejo único:
Esgotar de prazer escoando em início
O fogo que me queima quando penso em você.

Eliane Alcântara.



Escrito por Eliane Alcântara. às 15h14
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 refrescante.

no banho a mão
escorrega
espuma e bolhas
                      .
                          .
                               .
                                                  ... escondem
a água morna
escorre
e o calor junto a ela
satisfeito d
                    e
                         s
                              c
                                  e
                          .
                     .
                 .
                                      ralo abaixo.

Eliane Alcântara.



Escrito por Eliane Alcântara. às 17h26
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 Roubei essa imagem do endereço:
cassiojps.brinkster.net/ porto/
Não sei de quem é...

 Peço desculpas pela ausência aqui
e nos blogs das pessoas amigas.
Voltarei em breve. A postagem desse
soneto não é por falta dos meus rabiscos.
Continuo escrevendo. É por medo do
eu-poético, meio louco esses dias...
Porém... Estamos em excelente
companhia!!! Beijos.

Ah, um soneto...
Fernando Pessoa - Álvaro de Campos


Meu coração é um almirante louco
que abandonou a profissão do mar
e que a vai relembrando pouco a pouco
em casa a passear, a passear...

No movimento (eu mesmo me desloco

nesta cadeira, só de o imaginar)
o mar abandonado fica em foco
nos músculos cansados de parar.

Há saudades nas pernas e nos braços.

Há saudades no cérebro por fora.
Há grandes raivas feitas de cansaços.

Mas - esta é boa! era do coração

que eu falava... e onde diabo estou eu agora
com almirante em vez de sensação?...

***



Escrito por Eliane Alcântara. às 10h52
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 Ok... Tentativa.
Pensei em inserir um poema no outro, ou seja,
deixar que um com final, sem ponto final
puxasse outro.

***

Ontem

As fendas nas quais cultivavas meus sorrisos
eram ideogramas de leituras não feitas
por minhas inconciliáveis palavras,
margem de pus e suor em meu peito

Ainda

Do lado de lá circulavam manhãs
quando eu tardia pioneira do nada
abria a mochila de meus sentimentos
e via voar sem um mínimo de pressa
faíscas molestadas por minhas asas,
plumas seduzidas em alinhamento idôneo,
verão calvo de um sol desfeito

Mas

Nada tendo de nada que sei
e do que sei tendo nada,
apenas carreguei mãos abertas
a benzer teus olhos com loucura
meio a razão e a tentação

Agora

Dou-te sem medo do que não sei
minhas horas vividas, vindouras.
Faz tempo ... um dia eu serenei...
Hoje orvalho sendas...
Por zelo leva a faixa à vida.
Prossigas!

Eliane Alcântara.



Escrito por Eliane Alcântara. às 19h47
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 Emocionada divido com vocês esse presente que mais que uma surpresa
deixou mais alegre meu dia : )
Muito obrigada, Devair!
Beijos.
Eliane.

***

 Amor e Amizade.

E
u   quero

Lhe dar pelo menos um
Instante de inspiração!
A paixão, o amor
Nunca faz mal a ninguém!
Escritora dos apaixonados. Fazendo alegria de quem gosta de

        Amar
           Linda e
             Carismática, poderia escrever um
        MontÂo de adjetivos que justificaria toda sua beleza  exterior... mais a interior é que te faz grande!
                   Te amo sem te amar...
                      Amor como as águas de um 
                         Rio que se passa levando consigo o nutriente para um
                             Amor apaixonado de dois amigos.
 
                                             Devair G. Oliveira


Escrito por Eliane Alcântara. às 17h17
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Cinzas líquidas.
 
meia-voz e luz
difusa presença
em meus olhos
cria tua
a abrir-me mar
colorido desatino
pelas ondas quebradas
de uma saudade
espuma gaivota
asas de outro vôo
no ido canto
lembranças iguais
as de ontem
no cinzeiro de agora
(silêncio do turbilhão).
 
Eliane Alcântara.



Escrito por Eliane Alcântara. às 11h25
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Encontrei esse escrito com o poeta Jorge Humberto (2003).
Postando...


A começar.

Sem solidão, com saudade
canta o poema frágil
respirando o vento a varrer o chão
nas canções e devaneios
a fazer companhia na manhã
quando a sombra é efeito da luz
a luzir por missão
do contínuo existir.

Eliane Alcântara.
29/07/03

***


A terminar

Minha alegria, minha canção,
Meu poema que percorro
Noite e dia, minha solidão,
É devaneio, sensação na pele,
Cacos pelo chão que o vento repele,
Por isso eu digo, pau ou pedra,
Que se a ambos medra
A sombra, por inflexão da luz,
O que neles deixo, em mim é
E já reluz.

Jorge Humberto.
29/07/03.



Escrito por Eliane Alcântara. às 10h09
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 Esta foto é da primeira flor que surgiu em meu quintal,
no qual tenho insistido criar um jardim.
Para você, Luiz Magno, que tanto me incentiva
a prosseguir com esta idéia (do jardim).

 


                                                       Trepadeira.
Minha boca amanheceu botão
                Cada galho
Suguei de teu orvalho                                    Engalha teu sexo
Razão para o meu florir.                              Ao meu desejo.


*** 
                                                  Sementes Virgens.
Não vesti manhã                 Nem tudo morre
Não ousei calçar sol            Nem tudo some
Minei temperatura                 Tua masculinidade
(adequada)                    Ecoa em mim
A sua brotação.                  Rumo ao futuro.

Eliane Alcântara.



Escrito por Eliane Alcântara. às 15h58
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Maturação.
 
Pelo silêncio das palavras em mim emudecidas
Forço um poema e deixo-o adormecer nas horas,
Bebê saciado com leite materno.
Sinto-o aninhado em minhas entranhas,
Carícia bem leve pela trilha de meus amores
E mudanças tantas em um país sem medo
Das cores senhoras de nossa raça.
Rezo um pouco para deuses e santos,
Quero a comédia de alguns
E a sanidade extrapolada de outros.
Peço um verso aos meus dedos,
Uma rosa para quem tem fome de vida,
Pão para quem tem sede de corpo.
Observo a carência de tudo
E o segundo corre a gritar pelo dia,
Minha fonte de claras proezas,
Sentimentalidade concreta
__ roda de brincadeiras__
Ingênua maneira de ver
O poema que agora é pique esconde
Lá no fundo de meus pensamentos.
Dorme, menino, dorme.
Amanhã a dor irá passar e você acordará
Novo, pronto, livre das rédeas, guerreiro!
 
Eliane Alcântara.

***
Não resisti... Amanheci com essa canção,
divido...

Um Homem Também Chora
(Guerreiro Menino)
Gonzaga Jr.

Um homem também chora
Menina morena
Também deseja colo
palavras amenas
Precisa de carinho
Precisa de ternura
Precisa de um abraço
da própria candura
Guerreiros são pessoas
tão fortes, tão frágeis
Guerreiros são meninos
no fundo do peito
Precisam de um descanso
Precisam de um remanso
Precisam de um sono
que os tornem refeitos
É triste ver meu homem
guerreiro menino
com a barra do seu tempo
por sobre seus ombros
Eu vejo que ele berra
Eu vejo que ele sangra
a dor que tem no peito
pois ama e ama
Um homem se humilha
se castram seus sonhos
Seu sonho é sua vida
e vida é trabalho
E sem o seu trabalho
o homem não tem honra
E sem a sua honra
se morre, se mata
Não dá prá ser feliz,
não dá prá ser feliz.



Escrito por Eliane Alcântara. às 09h48
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2005 – 2006.
 
Faltam poucas horas para o próximo ano...
Eu, de folga da escrita pensei sobre o que escrever.
Não sou boa com datas. Prezo pelo o sentimento do momento, a emoção.
Complicado escrever de outra forma. Olhei ao redor, pensei em falar da infância. Das noites que passei em claro a contar os dias. Recordei de minha avó a fazer meu bolo de aniversário à noite para que fosse surpresa no dia primeiro. Suas lágrimas pela morte de meu avô nesse dia e a força que ela sempre fazia para sorrir. Depois corri para a adolescência. Almoço para os amigos e o tradicional bolo que eu não via mais quando era feito, eu estava para a rua ou para a igreja. Mais à frente, apenas as visitas a casa dela e o mesmo almoço e bolo. Acredito que para ela nunca serei a Eliane ‘grande’.
Em flash, deitei e fiquei a montar o quebra-cabeça de minha vida. Tantas coisas! Os primos reunidos, pai e avó, as tias e tios a provar que para eles eu era a única pessoa do mundo, os amigos, os abraços, os beijos e a cachaçada marcada para quando estivéssemos na rua. Virada de ano longe de familiares - passeio com amigos, virada de ano a escutar fogos e respirar a brisa do mar, virada de ano com meus amores. Virada de Ano com amigos repentinos já que os outros estavam a viajar. Virada de ano na net esperando um oi. Virada de ano na beirada do fogão a preparar os comes e bebes para receber as visitas no dia seguinte. Virada de ano com minha tia, a esperar que ela terminasse minha roupa. Virada de ano com poemas, vinho e a solidão. Virada de ano colada ao telefone.
A última? Bem... Viajei. Encontro com o mar. Às 23 horas decidi que queria ficar em casa – sozinha. Todos foram ver os fogos... Fiquei a escutá-los. Churrasco no primeiro dia do ano a beira da praia com direito a parabéns público. Tantas viradas. Somarei 33 anos. Muitas viradas! Alegria em todas, mas sobre o que irei escrever? Hummm... Já sei!
 
Algo aos meus amigos que acolhem a vida como um dom e sabem que a mesma é uma loucura.

Aqueles que por mais um ano suportaram minhas fraquezas, minhas lágrimas, minhas manias de querer ver as coisas em seus lugares.
Aos que choraram comigo e me deram seus braços em um abraço gostoso quando eu procurava um carinho.
Aqueles com os quais aprendi muitas coisas sobre a vida e suas ciladas.
Aos que falaram besteiras, enviaram piadas, poemas, textos e textos.
Aos que escreveram um pouquinho de suas vidas ao lado da minha e acreditaram no valor da amizade.
Aqueles que riram de minhas utopias, dos copos que bebi sozinha papeando na net e sorriram dos meus tombos (um joelho dolorido até hoje).
Aos que ficaram tontos comigo e curtiram as ressacas.
Aqueles que me arrancaram rabiscos porque queriam ler.
Aqueles que imaginaram uma noite 'perfeita' quando o sol queimava lá fora e as flores pediam água para alimentar a aridez de suas raízes.
Aos que falaram de desejos, que os partilharam da forma mais bela e pura que é possível imaginar.
Aos que enxergaram em meus rabiscos uma maneira de conversar com sua sensibilidade e, ao meu lado falaram de suas vidas.
Aqueles que vasculharam meus mistérios e no fim descobriram que não os tenho, que sou quem sou.
Aos que aconselharam, silenciaram e me fizeram rir dos problemas aos quais eu imaginava sem solução.
Aos que encaminharam mensagens para dizer: ‘ei, estou aqui, tá?! não sumi’.
Aos que eu não sei como agradecer porque foram mais que amigos ou familiares.
Aqueles que conheci diversas vezes já que só mudaram o ‘nick’ na net.
Aqueles que brincaram com o meu jeito de não ligar para coisas chatas e confusas.
A todos, sem exceção, venho trazer um beijo terno, um abraço longo e a famosa frase ‘amo você!’. São palavras em meus dedos, sentimentos... e encolhem emocionados. Vocês são fascinantes!
Para não ficar chata, desejo alegrias infinitas e caso não seja possível, meus votos são de eternas alegrias : )
Beijos e um 2006 maravilhoso para todos nós!
Obrigada por tudo!
 
Eliane Alcântara.


Escrito por Eliane Alcântara. às 18h43
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Noites vestidas de longo.

 

 

Procuro mãos           invento estrelas

crio pensamentos      vejo-o, prendo-o

                          dedos

                linha de marcar prazer.

Olho-o

                avesso

bordado             (sem/com)       nós

              frente e verso tesão

 

Aperto-o                                    em meus seios

corro lampejos                        acendo-nos

 

O tempo frio aquece-nos.

Em antigo romantismo vibro

sacanagem da sua língua

               véu noturno

manias tantas de amanhecer

orvalho em sua boca.

 

Eliane Alcântara.



Escrito por Eliane Alcântara. às 20h50
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Alfonsina Storni
(1892 - 1938)

El engaño


Soy tuya, Dios lo sabe por qué, ya que comprendo
Que habrás de abandonarme, fríamente, mañana,
Y que, bajo el encanto de mis ojos, te gana
Otro encanto el deseo, pero no me defiendo.

Espero que esto un día cualquiera se concluya,
Pues intuyo, al instante, lo que piensas o quieres.
Con voz indiferente te hablo de otras mujeres
Y hasta ensayo el elogio de alguna que fue tuya.

Pero tú sabes menos que yo, y algo orgulloso
De que te pertenezca, en tu juego engañoso
Persistes, con aire de actor del papel dueño.

Yo te miro callada con mi dulce sonrisa,
Y cuando te entusiasmas, pienso: no te des prisa,
No eres tú el que me engaña; quien me engaña es mi sueño.

***

O Engano

Sou tua, Deus o sabe porque, já que compreendo
Que haverás de abandonar-me, friamente, amanhã,
E que embaixo dos meus olhos, te encanto
Outro encanto o desejo, porém não me defendo.

Espero que isto um dia qualquer se conclua,
Pois intuo, ao instante, o que pensas ou queiras
Com voz indiferente te falo de outras mulheres
E até ensaio o elogio de alguma que foi tua.

Porém tu sabes menos do que eu, e algo orgulhoso
De que te pertence, em teu jogo enganoso
Persistes, com ar de ator do papel dono.

Eu te olho calada com meu doce sorriso,
E quando te entusiasmas, penso: não tenhas pressa
Não es tu o que me engana, quem me
engana é meu sonho.

Tradução: Maria Teresa Almeida Pina.



Escrito por Eliane Alcântara. às 01h05
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Insano gozo.

O veneno de olhos desinibe margens

No vento arbitrário da voz
Passeata em seu corpo molhado no mistério do decifrar.
Lambo de suas mãos um pouco de lascívia prematura
Sêmen de seu prazer a beijar minhas pernas
Sentido de quem faz amor sem medo de fazer sexo.


Rio de um gosto a mais no quarto escuro

Aceso em nossos olhos claros
Potências em sábias misturas
Cores a nos transfigurar animais no cio.
Se a manhã é longa delícia perdida nas coisas,
E nós, quem somos, lúcidas criaturas, para fugirmos do movimento?


É temporário esse tempo de gostosuras

E sua boca úmida de desejos facilita
A compreensão do dentro fora que apraz o fogo da carne
A abrir-se tesão no indício de travessuras.


Dê-me um pouco de sua língua,

Íngua que não mingua como fase de lua.
Dê-me mais de sua carência para o ato
Firmeza na qual desato o sonho
Sem fugir do pacto tamanho
Em reconhecer-nos vínculos eróticos.


Se foi a sacanagem lírica, o suor a nos remoçar,

Faz da brisa à vontade de ousadas estripulias
Dançar ao som de seu peso a forçar-me
O bendito prazer de acolhê-lo.
E sem pressa, semeie em minha caverna,
Seu grito de independência
Na estrada de minha volúpia
A arquear meus braços em sua cintura.
Santo gozo!


Eliane Alcântara.



Escrito por Eliane Alcântara. às 15h25
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 (Poema completamente não indicado para menores
por seu forte (?)
 conteúdo na forma
e palavras que instiguem a interpretação dúbia .
Segundo alguns).

***

E
Somos
Tesão
...
..
.

Tua boca sacana
dona de minhas manhas
ladeia o espaço de meu abraço
e ao encontrar-me pequeno sanhaço
visito o céu de tua virtude
na saliva desmiolada
de teu fruto metaforizado
ao prazer de meu apetite
no bico de teu gozo, jato,
festa em minha plumagem,
suave púbis orgasmática
em que entra tua vontade
pela abertura consciente
de um meu desejo vadio
e crescem os versos nus
ereção de amasso e toques
sem deuses, supra-realidades
ou o mais de um estar
e minar a face satisfeita
o ato de consubstanciar
corpos, mentes, essências,
tesão, carnalidade, gozos
e o inegável sorver de fantasias multidimensionais
nas dimensões que nem sabemos medidas e explodimos
reascendendo no fim o começo de formas perfeitas, encaixe,
jogo para amantes, decifrados códigos,
fonte de interesse daqueles pneumotórax's
cientes em tangos argentinos
no verbo sexual do ápice.

Eliane Alcântara.



Escrito por Eliane Alcântara. às 08h45
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